sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

03. Odú Eta-Ogundá

Foi o terceiro Odú a vir para o Ayê, é a representação dos Imolés tendo a influência de Egum e do culto aos ancestrais. É ele que mantém viva a memória dos Babalorixás que partem de volta ao Orum.
Etaogundá é representado por Iná no Ipadê, é a luz que nunca se apaga. Podemos perder o Ará, que na verdade não nos pertence. É uma massa retirada do Ayê e aquele espaço fica aberto até o dia de retornarmos a ele, pois nós não perdemos nada e sim, ganhamos o direito de conviver com outros no Ará Ayê que vem da mesma massa. Seja ela branca ou negra, fazem parte da mesma origem de existência.
Etaogundá é a permanência da vida seja no Orum ou no Ayê.
Conta um Babalawô Ojibonu Ayodede que Oyá teve nove filhos e todos os nove não tiveram forma, mas tinham vida. Por eles se acherem diferentes, viviam no Ayê Balé, pois lá eles sabiam que ninguém iria incomodá-los. Oyá triste, foi até o rei Xangô e perguntou o que poderia fazer para que seus filhos fossem aceitos por toda comunidade. Xangô, conhecido como Obá Inlá (grande rei), gostava das festas, de brincadeiras, muitas mulheres e principalmente a beleza da vida que contagiava todos os seus súditos e descendentes. Atraia visitas ilustres para seu reino. Aquele que tudo o que come tem que ser quente, admirador do sol e do fogo, fazia reuniões, convidava todas as suas mulheres, obás, seus súditos e até mesmo alguns escravos para dançar em volta da fogueira e para comer amalá, pois ele sabia que enquanto eles dançassem em volta da fogueira, no sentido horário, a vida continuaria. A adoração era tanta pelo fogo, que passou a ser chamado de Obá Iná e conseguiu criar o akará do qual ele fazia o seu ajeum, que deu poder ao rei de cuspir fogo. Não poderia deixar uma de suas esposas mais amadas e alegres, ficar triste daquela maneira, trazendo para seu reino tristeza, frieza e amargura. Procurou um Babalawô perguntando a ele o que poderia fazer para que sua linda esposa voltasse a sorrir.
O Babalawô mandou que comprasse bastante espelhos, panos coloridos, oxés e serês e colocasse tudo isto na entrada do Ayê Balé e chamasse todos os egungun e mandasse que se vestissem com todas as oferendas e que usassem em suas mãos as representações do rei, como o serê e o oxé. Com as roupas coloridas representariam a alegria e a vida. Com as cores fortes e os instrumentos do rei, os fariam populares. Egum grato com o rei passou a respeitá-lo como se fosse seu próprio pai, pois foi o único que se preocupou com o abandono do Egun e o fez respeitável e adorado até os dias de hoje.
Por esse motivo devemos colocar contas referentes a Xangô toda vez que participamos de enterros, velórios e axexê. Pois Egun sabe que somente Xangô dá direitos e faz que todos os seres tornem-se importantes para a sociedade.
Este Odú deve estar ligado a encantados Irumalé, é o Odú da terra que é reverenciado por Egun e Obaluaê. As cores desse Odú estão representadas no branco, que é o ar e a atmosfera e no preto, que é a terra e o luto.
Perfil:
Seus filhos são pessoas conscientes que sua forçaa de vontade é importante para o sucesso, persistência e coragem para tirar melhor proveito das situações, pessoas que usam muito a razão; em seu lado negativo, traz a mentira, falsidade, fingimento, avareza e falsidade.

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