sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

12. Odú Ejí-Laxeborá

Fala neste Odú Xangô e Yemanjá.
Xangô era um homem muito galante. Gostava de festas, bebidas e mulheres. Teve três esposas: Oyá, Obá e Oxum. Tinha como mãe Iê Iê Omo Ejá (mãe dos filhos peixe). Mas sua mãe sentia-se incomodada com a presença de Xangô pois tudo que ele fazia, a ela contava. Ela não suportava mais a situação e foi procurar o Babalawô Olukotun Bi Oye e disse a ele que o amor que ela sentia pelo seu filho Xangô era grande, tão grande que era capaz de doar sua vida pra que ele se mantivesse vivo se necessário fosse. Era um amor carnal, da paixão de uma mulher por um homem.
Então perguntou:
- O que posso fazer para conquistá-lo? O Babalawô ensinou uma bebida mágica que encantaria Xangô, mas depois desse dia, nenhum de seus descendentes poderia provar desse fruto, pois isso seria a tragédia de Xangô. Yemanjá se viu muito preocupada e disse que jamais faria aquela bebida porque não suportaria ver seu filho que representava o calor do sol e a alegria da vida, derrotado por um ato mal pensado de sua mãe. Retornou à sua aldeia e continuou levando a vida como antes: aconselhando pessoas e cuidando das cabeças dos filhos.
Mas um belo dia Exú, que se aproveitando da situação, disse a Yemanjá que teria uma grande festa no reino de Oyó e que Xangô tinha dito aos quatro cantos do mundo que pagaria duzentos mil kauris se existisse mulher mais bonita do que as mulheres que ele tinha. Yemanjá sentiu-se ofendida pois que era possuidora de uma grande beleza feminina, que encantou Reis e teve filhos com todos. Teve tantos filhos que já não sabia qual cabeça não lhe pertencia. Mulher bela com ar de prata, seios avantajados, brilho da lua. Vestiu-se como Grande Rainha que era, com seus Elekês, tranças torneadas com búzios, muitas pérolas em volta do pescoço, muitos braceletes de prata que dava o toque da sensibilidade feminina. Foi à festa acompanhada de suas Ekedis e soldados. Já havia passado meses sem que mãe e filho se vissem.
Quando Xangô a viu não reconheceu, viu uma bela mulher e logo sentiu-se encantado. E falou:
- Quem é esta linda Rainha que brilha como água, que encanta meus olhos e faz chorar de amor meu coração?
Xangô não podia saber que independente da beleza de Yemanjá, existia os feitiços e encantamentos de Exú. Yemanjá, também enfeitiçada, pegou o fruto que Xangô mais gostava com algumas folhas mágicas, dadas por Exú, misturou com obí e deu para que Xangô bebesse.
Ele sentiu-se embriagado pela bebida e dominado pela paixão, pois nunca tinha visto no mundo uma mulher tão perfeita e acabou entregando-se a sedução. Com ela deitou e passou uma das noites mais felizes de sua vida.
Ao clarear o dia, Exú retirou o encanto e Xangô ao acordar deparou-se com sua mãe nua sobre seu corpo. Não pode acreditar. Revoltou-se com o mundo, teve vergonha de sua própria mãe. Acreditava que jamais poderia encontrar uma mulher que faria o Rei Xangô sentir tudo aquilo que ele sentiu. Nem Oyá com sua força e beleza, nem Obá com sua inteligencia, nem Oxum com sua sedução conseguiu reanimar o Rei. Ele deixou de comer, de beber e principalmente, deixou de sorrir. O sol já não tinha mais a mesma intensidade sobre a terra. As flores do reino começarão a morrer. O povo se reunia na frente do palácio e clamavam:
- Obá Kossô, Obá Kossô Arayê, Obá Iná Ifé, Obá Iná Emí!
Xangô chegou a conclusão que não poderia mais viver para o povo porque seu tempo na terra tinha se acabado. Então, reuniu seus ministros, chamou seus irmãos, fez uma grande reunião onde estava todos os Reis e principalmente Yemanjá, a mãe do Rei Xangô e disse:
- Meu irmão mais novo, você sempre foi um inconsequente, toda a vida que morou em meu reino causou muitos atritos e confusões. Eu sei que o maior mal para você, meu irmão, será a responsabilidade. Eu lhe darei a minha coroa, o meu Oxé, minha gamela, meu Xerê e a responsabilidade de conduzir os caminhos de meu povo e julgá-los. Terás de saber como punir ou absolvê-los e darei controle a ti para que lhe cobrem. Darei Seis Osí Obá à sua esquerda e Seis Osí Obá à sua direita que governarão contigo em meu nome. A partir desse dia, ninguém ousará lhe chamar pelo seu Arú pois estou lhe dando o meu título de Guardião de minha coroa até o meu próximo descendente que só governará após seu regresso ao Orum. Aí está a senha de meu reino e todo o povo lhe chamará Barú que com o passar do tempo, serão poucas as pessoas que saberão quem verdadeiramente tu és.
Perfil:
Não admitem ser contrariados. Tem forte tendência a obesidade. São ligados a mãe e a família. Gostam da vida, mas não temem a morte. São gulosos, dorminhocos, briguentos e senhores de suas obrigações. É simbolizado através de uma fogueira. São orgulhosos e guerreiros.

sábado, 19 de dezembro de 2009

13. Odú Ejí-Ologbon

Este é o Odú da grande família Dan, Senhor do Mundo, atuante da região de Daomé, Savalú, Savé, Mahin, Nupé, Tapa e Igena. É o vodú da criação. É representado por uma enorme serpente com uma cauda que começa na terra e a cabeça pairando sobre as nuvens do céu. É ele que liga a terra ao céu.
Fala neste Odú Oxumarê, Ewá, Dankô, Irôco, Possun, Onilé, Nanã, Ossain, Obaluaê e Ikú. É a maior representação da família Gege no país Yorubá.Simboliza a vida e a morte. É um Odú muito perigoso e toda vez que ele cair para uma pessoa, é necessário que tire um Ebó Ikú e depois de uma semana, ela retorna para que seja feito um novo jogo.
Um Oluwô, da região do Benin, contou que Lisa Wawu criou este Odú para punir todas as pessoas que se voltasse contra a terra, visto que ele é a representação da terra. Este mesmo Oluwô teve uma experiência: ele nasceu para morrer e sua mãe que se chamava Nanã Igbejú, preocupada com seu estado de saúde, fez oferendas para Ikú pedindo que a morte fosse embora de seu caminho e o Vodú da família lhe mantivesse vivo. Até hoje, ele tem que esconder-se da morte e teve que formar-se Guardião de Ifá para que sempre possa consultar o Oráculo com a intenção de saber se Ikú está perto ou longe, porque Eji-Ologbon quando não mata, dá a vida.
Nanã teve vários filhos e todos diferentes:

Sapatá, trouxe o Isanbô , a epidemia e as doenças;
Oxumarê, a transformação, metade Okô e metade Dan;
Irôko, trouxe a velhice precoce;Dankô, os nós do banbuzal;
Possun, a fera;
Onilé, a terra que espera e que guarda todas as coisas que são vivas e que um dia sarão comidas por ele. Ele é o dono do Ojubó, não se deve abrir um buraco sem pedir permissão a ele. É o mesmo que colhe as raizes e expulsa para fora da terra os brotos.

Nanã sentiu-se amargurada, pois todos os filhos que teve nasceram com dom, sabedoria e uma beleza rústica e ela não sabia compreender essa beleza, tinha pavor de todos eles:

Sapatá, ela colocou num balaio feito de palha da costa, cobriu com búzios para aquele que o encontrasse, pois na época dos Orixás e Vodus, o búzio era usado como moeda. Caminhou até a região de Egbá, porque ouviu dizer que naquela região existia uma bondosa senhora que não recusava nenhuma cabeça, pois acreditava que todas as cabeças pertenciam a ela, não importando se esta era feia ou bonita, defeituosa ou perfeita, boa ou ruim, ou seja: era a mãe perfeita para o filho de Nanã. Então, colocou o filho na beira d'água e ficou observando por nove dias e nove noites. Ao término do nono dia, avistou um clarão que envolveu o cesto e o levou. Nanã sentiu-se feliz, pois agora sabia que seu filho seria bem cuidado visto que a Rainha do Lodo, Senhora do Ará, não tinha jeito com crianças;
Irôko ela levou-o para a cidade de Ifé, pois aos olhos de Nanã todos que alí nasciam, já nasciam velhos e ela não suporta a velhice.

Ikú, nunca aceitou sair do lado de sua mãe, pois que era igual a ela. Tinha grande amor e admiração por ela. Como ela sabia que ele jamais iria embora, deu a ele a incumbência de buscar todos os corpos que a ela pertence. quando Ikú aproxima-se de uma pessoa é porque a mesma está correndo risco de vida.

Ewá foi violentada pelo seu próprio irmão, então revoltou-se com toda masculinidade e com o ato sexual. Como seu irmão bateu muito nela na hora do ato, ela ficou deformada, isso a levou a não suportar nada que reflita sua aparência e toda as vezes que aparece para seus devotos, é da melhor forma para que as mulheres não percam a vaidade, pois é ela a representação da beleza feminina e só permite que seus devotos sejam iniciados com a menor idade e, de preferência, antes da primeira menstruação.
Oxumarê nunca ligou para as atividades da mãe, pois era dotado de um grande dom, o da adivinhação. Motivo este, que as pessoas não se preocupavam com sua aparência, seu dom era maior do que a forma que tinha e os seus acertos lhe davam riquezas e honras. Teve tanta fama que até um poderoso rei da aldeia vizinha consultou Oxumarê e quando viu o tamanho do poder, não deixou mais que Oxumarê fosse embora e deu a ele o título de Ojú Obá - Os Olhos do Rei. Muitos anos Oxumarê serviu a este rei.
Mas um dia, Olodumaré viu que a vida no mundo estava ameaçada porque não existia nenhum Orixá encarregado de fertilizar a terra e uma terra seca não há de dar fruto e o homem sem fruto não terá vida. era necessário um Orixá da terra, retornar ao infinito e somente ele saberia como fertilizar a terra.
O Rei Olodumaré, criador de todas as coisa, sabendo e conhecendo Oxumarê tão bem, mandou que fosse morar de vez no Orun.

Possun era um guerreiro louco, muito semelhante a Ogun. Tinha as mesmas vontades e a mesma fúria, com uma diferença: os Voduns tinham o poder de ser transformar em feras quando encolerizados. Assim era Possun, uma fera. Nunca aceitou aliança com os Yorubás, por este motivo não se assenta este Orixá em casa de Keto.

Dankô é o Vodun que vive no meio dos bambuzais. ele tem no corpo várias dobras que são iguais aos nós do bambu, tem a cabeça pontiaguda semelhante aos Yorubás. Guarda e protege as casa. Todas as vezes que se passar por um bambuzal, é de bom grado cumprimentá-lo e atirar moedas para que ela possa nos proteger do feitiços e encantamentos.

Ossaim nem esperou que sua mãe o mandasse embora. Como não suportava a maneira que ela o tratava e tendo vergonha da família, foi morar na mata. ao viver na floresta, foi adotado por Igbó a árvore e teve dois companheiros; um que se chamava Eleyé - o pássaro que tudo vê e nada esconde de Ossaim e o outro que era Imolé da floresta que ele batizou com o nome de Aroní. Nunca nenhum Orixá, nem Vodun, nem ser humano havia entrado nas profundezas da mata. Igbó se transformou no pai de Ossaim, o ensinou a combater todos os perigos e ameaças que poderia sofrer. Depois mandou que Ossaim procurasse Yá Mí, a feiticeira que controlava todos os segredos da floresta. Ossaim aprendeu com Igbo o segredo das folhas e com Yá Mí o que fazer com elas: curas, encantamentos e feitiços. Yá Mí mostrou a Ossaim as duas folhas mais importantes da mata:
Uma que se chamava Ewe Ifé e disse:
- Esta é a folha do amor, da pureza e da vida.
Depois mostrou a segunda e disse:
- Esta é a Ewe Ikú que é a folha do abandono, da falsidade, da traição e da morte. Yá Mí disse ainda para Ossaim:
- Eu moro com Igbó, a árvore, embora muitas pessoas não saibam, mas Igbó é o tronco, a parte que sustenta. Eu sou a copa, a parte que ampara e dá sombra, sirvo como abrigo e pouso para os pássaros. Por isso, tudo aquilo que vêem me contam da mesma forma que Eleyé lhe conta. Se Igbó é seu pai, eu serei sua mãe, pois fostes abandonado e se intitulou Ossaim com vergonha do seu verdadeiro nome. Por pior que seja a família não devemos renegá-la porque é ela é nossa raiz e somente a família nos faz existir. O seu povo, eternamente lhe chamará pelo seu nome Agué Maré, mas o mundo lhe chamará por sua sunda que é Ossaim. Não se apresentará mais no mundo dos homens. Teu saber é muito grande e os Voduns e Orixás tentarão tornar-se donos de sua sabedoria e poder. Por esse motivo, toda vez que quiser algo da cidade, terá que mandar Aroní. Muitos Orixás, Reis e Olojás não vão querer negociar com Aroní. Para esses Reis, Voduns e Orixás, Aroní usará o seu nome e com o passar do ninguém saberá quem é Aroní ou quem é Ossaim. Confundirão as cabeças dos devotos pois dessa forma a mata nunca se acabará e os Orixás que quiserem falar com Ossaim, deverão vir até você e nunca irás até eles, mesmo que tentem roubar o segredo de Igbá, onde você guarda suas folhas e sementes secretas e sagradas.
Você não deverá se preocupar porque o segredo está em você porque na cabaça estão só as folhas e sementes. Você me representará no culto e poderá falar em meu nome porque o que você tem, não fui eu que lhe dei, mas nasceu contigo, porque tu nasceste da Mãe da Morte para dominar os segredos da vida".

Perfil:
As pessoas regidas por este Odú, são inteligentes, sensatas e audaciosas. Seguros de si. Trazem o feitiço nos olhos. Normalmente viveram uma infância com muitas dificuldades. Nunca perdem uma batalha.

14. Odú Iká

Neste Odú fala Egun e Bessem.
Contam alguns sacerdotes antigos do Tongo, numa cidadezinha chamada AGUEREDISA, habitava um ser que era semelhante a Oxumarê dos Yorubás ou Dan, a serpente dos Daomedanos. Algumas pessoas também lhe chamavam de DANBURÁ – o homem que de seis em seis meses trocava sua pele. Quando estava próximo de sua transformação, era chamado de FREKUEN, ou seja, aquele que tem o poder da transformação.
Todas as vezes que ele ia para água, deixava em seu trono um grande amigo que se chamava BABA LAILAI, e era conhecido também, como Senhor das Hierarquias, da Antiguidade e da Tradição. Usava vestes coloridas, panos de diversas cores, muitos penduricalhos como saoro, kasisis, guisos de serpente, pedaços de espelhos com ornamentação, muitos búzios e algumas ráfias que se assemelha a palha da costa.
Bessem tem o poder da vida e da morte e conduz o vapor da terra até a atmosfera e é através dessa união que surge o Oro Ijô, a chuva que serve para manter todos os elementos vivos. Por esse motivo, temos que manter sempre próximo ao assentamento desse Orixá vasilhas, potes, quartinha, porrões, principalmente um poço ou uma fonte. Ele é representado sob o pé do assentamento de todos os Orixás, pois é a água que lava, limpa e purifica. É considerado o pacto que Deus fez com os homens.
É importante que todas as vezes que for fazer algo por um Orixá, manter uma quartinha com água representando a vida, a ligação do homem com seu Deus. Esse é o Orixá que une. Simboliza os pares que unidos se transformam em um só ser como um homem e uma mulher perante o casamento, o dia e a noite, o sol e a lua e o céu e a terra.
Também encontramos Egun interagindo com muita predominância neste Odú, pois, Bessem é o encanto e Egun é o Imolé que guarda e protege esse encanto.



Perfil:
As pessoas regidas por Iká são persistentes e facilmente conseguem alcançar seus objetivos. É de fácil convívio, apegadas a família mesmo estando longe de casa. Iká é o Odú da saúde - mente sã e alma limpa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

15. Odú Ogbé-Ogundá

Fala neste Odú Obá, Oyá e Ogun
Este Odú fala sobre as guerras, as brigas e principalmente a desunião.
A Padroeira deste Odú é Obá e traz em sua defesa sua irmã mais nova conhecida na cidade de Ibadá como Oyá e na cidade de Irema como Iansã.
Oba é um Orixá feminino que pertence ao culto dos Yorubás. Teve dois relacionamentos em sua vida. No primeiro, ela foi violentada e se exilou indo viver nas profundezas da floresta e criou um culto próprio que se chamava YÁ MI EGBÉ, ou seja: Comunidade das Feiticeiras.
Obá começou a conspirar contra o culto dos homens e não teve nenhum Orixá masculino que a vencesse numa luta corporal, era rápida, astuta e tinha uma força que nem o temido Ogun conseguiu vencê-la. Envergonhado, procurou um Esó da floresta para saber o que poderia fazer para vencer essa poderosa fêmea, que quando brava, parecia um homem.
O feiticeiro mandou que ele pegasse inhame e quiabo, fizesse uma massa bem viscosa e colocasse atrás de um mato, longe dos olhos daqueles que iriam assistir a luta, assim sendo, conduziria Obá para aquela região e quando ela colocasse os pés na massa, iria cair e Ogun deveria possuí-la mostrando assim que por maior que seja a força feminina, jamais será superior ao poder masculino. O principal poder do homem é a força bruta e da mulher é a consciência. O que controla a cólera é a consciência
Obá sentiu-se envergonhada após ser violentada em público e jurou que nunca mais, nenhum homem ousaria tocá-la. Retirou-se de vez da cidade, passando a viver na parte mais obscura da mata.
Mas, um belo dia, um rei de tranças, que usava argolas em suas orelhas, muitas pulseiras de cobre, colares rente ao pescoço, robusto, com ar de alegria e um sorriso que representava a vida, perdeu-se nas profundezas da mata em uma das suas viagens onde iria visitar Ogun, na cidade de Irê.
Obá avistou esse poderoso rei que trazia um brilho tão ofuscante que mais parecia o sol. Obá encantou-se. Estava apaixonada. Seu coração chorava por que se via mediante a promessa que havia feito e que a proibia de entregar-se ao amor.
Xangô, o rei, galante e conhecedor da beleza que tinha, usou seu charme e encanto para seduzir aquela triste mulher que tanto sofrera. Xangô disse:
- Por que se esconde mulher? A beleza que procuro é a que vem do coração. Porque burro é o homem que não consegue enxergar a beleza que traz escondida dentro de você.
Obá nunca tinha ouvido elogios. Não pôde controlar-se entregou seu coração aquele homem que tinha a conquista como o maior prazer – “possuir o que ninguém mais possui”.
Após esse teatro de amor, Obá mostrou-lhe o caminho de volta e ele viu que maior que a beleza física, era a lealdade que ela devotava a ele, sabia que ela jamais o trairia, pois os filhos de Xangô para não sofrer injustiças e perseguições, devem ter assentado Obá, única Ayabá que guarda a retaguarda de Xangô. Obá deixa de cuidar de si para cuidar de Xangô.
Perfil:
São pessoas de grande valor. São incompreendidas e se tornam agressivas quando não bem sucedidas. Ambiciosas, buscam paz na Terra e no Mundo, sonhadores e desligados. Costumam sofrer muito no amor.

16. Odú Alafiá

Este Odú representa o princípio da vida, o equilíbrio do Universo. Nele falam todos os Orixás funfuns que são os responsáveis pela vida e pela continuidade da mesma. São todos os 154 representantes da família do branco e cabe a cada um deles, a missão de manter o equilíbrio da atmosfera terrestre.
Temos Oduduwá que traz na tradução do seu nome, o sentido gerador, a fonte geradora da vida. Temos também Obatalá, Pai e Senhor do Céu, ou seja, da grandeza e ainda Oxalá que poderíamos descrever como Pai Guardião do infinito.
Dentro da filosofia africana, acredita-se em um só Deus, isso faz com que seja monoteísta, que é conhecido pelo nome de Oludumaré, que é tido como Senhor Deus do Destino Supremo dos Homens e todos os seus derivados como os Irumalés, que se subdividem em Orixás, Eboras e os nossos conselheiros que permanecem no Ayê nos auxiliando e aconselhando e que nós chamamos de Pai do Espírito que é Babá Egun e temos um homem e uma mulher de confiança que através de seus conhecimentos manterão interligados os homens aos seus Orixás.
O termo ORIXÁ significa guardião da Cabeça porque todo segredo da vida está armazenado na cabeça. A cabeça é a fonte de continuidade do sustento e preservação da vida. É através do Orí que o ser humano recebe a ligação de Eledá.
Alafiá representa a alegria, uma vida melhor, tranquilidade e todo o ar que respiramos sem o qual a vida não existiria. É o sopro da vida.
Perfil:
Pessoas que sempre estão procurando ajudar a todos. Clamam ao extremo, mas não são radicais em atitudes e pensamentos. Não ligam muito para os valores financeiros e sim para os valores emocionais. Estão sempre em paz.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Yá Mí Oxorongá

Na liturgia tradicional Yorubá a que deu origem a Afro-Brasileira, a mãe Universal é denominada como a própria terra-negra, consequentemente possuindo vários nomes referentes as seus aspectos, não só dentro do âmbito natural como também dentro de vários âmbitos religiosos Yurubá. Um de seus títulos mais respeitados é o de IYAMI-OXORONGÁ, nome que é cultuada na Sociedade ‘Oxorongá’, já na sociedade Orixá é cultuada primordialmente junto com Orixalà-Obatalá”.
Dizer que Iyami Oxorongá não é um Orixá, ou dizer que ela simplesmente não tem iniciação num culto próprio, é indiscutivelmente incorrer num enorme falta de conhecimento referente à Iyami-Oxorongá. O que é preciso distinguir sobre o nome OXONGÁ, que é nada mais nada menos, que uma Sociedade executora de rituais aos ancestrais, onde IYAMI encabeça como matriarca das IYA-MI (minha mãe), ou seja, tanto Orixá Obirin (fêmea) quanto os espíritos das mães remotas e recentemente desencarnadas (egun-gun feminino), cultuadas num complexo de ascensão á feminilidade, onde o homem principalmente tem seu precioso desempenho, administrando as força feminino, num outro tipo de interação dos opostos, agora, a força feminina somada a força física masculina, ato precioso para Iyami-Oxorongá, que abençoa os homens com fecundidade através de Orixá’nlá. Desta maneira os homens capacitados podem sim, administrarem pequenos rituais de Iyami-Oxorongá, até porque hoje, o fato dos homens não cultuá-la, foi devido a uma pequena deturpação que aconteceu na Bahia/Salvador, quando um séquito de mulheres praticava rituais à Geledés abstendo os homens á participarem de tais ritos. Era tanta força que elas tinham que o culto acabou se extinguindo completamente, fato que deu origem a uma irmandade de mulheres de crença católica, que para os yorubanos não tem coesão ao culto de GELEDÉS, o que na verdade é outro departamento em que Iyami-Oxorongá está inserida de forma complexa, distinta e comparada ao seu culto próprio.
Iyami é uma poderosa força singular que atua naturalmente como uma matriarca, num tipo canalizadora do poder sobrenatural ou físico feminino, particularidade especial que cada uma, elas desempenham um tipo de função diferenciada, mas primeiramente como verdadeira fonte geradora de vidas, onde todas estão voltadas para a grande mãe que é o Orixá IYAMI, atuando como base estrutural da vida, que em natural oposição preside á morte, fato que comprova sua estreita relação com os egunguns.
Sob título de OXORONGÁ ou IYEMONJÁ, é uma única grande mãe, que irrevogavelmente está relacionada a uma condição anfíbia, possivelmente cultuada tanto na água quanto na terra com nomes distintos, faz da grande mãe poderosa em seus vários aspectos rituais, quando acontecem suas transformações no âmbito religioso.Isso é comprovado no culto de egun-gun, onde Iyami é primordial proprietária do mel (elemento natural), cujo elemento é muito utilizado no culto a todos os egunguns (ancestral) principalmente Xangô, dá para perceber o verdadeiro motivo que nas rodas de Xangô se louva IYEMONJÁ-ÒDUA, não havendo veracidade no fato de Xangô ser de uma prole direta de Iyemonjá, e sim por que IYEMONJÁ é a mãe mística de todos os seres vivos, principalmente pela condição de Xangô ser um memorável e grande egun-gun desencarnado, o qual é cultuado aqui no Brasil equivocadamente como um Orixá, onde acabou sendo confundido com os próprios Orixás JAKUTA e AGANJU, nos quais Xangô foi iniciado individualmente quando vivo. Este é o verdadeiro fato que Iyami Oxorongá necessariamente, com o nome de Iyemonjá, é louvada nas rodas de Xangô, também inserido nos rituais do grande Egungun-Xangô, representante primordial do séquito ancestral Yurubá, fato este ignorado pela maioria dos adeptos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os Fios de Contas

Pierre Verger descrevia assim o Fio de Contas:
"O primeiro material indicando a dependência de determinada pessoa a um Orixá, fazendo-o passar a categoria de Abian, consiste em colocar-lhe um colar de contas com as cores simbólicas de seu Orixá, lavado num banho de folhas litúrgicas".
Yian:
Colar simples de um só fio de miçangas - o colar do Abian.
Delogum:
Feitos com 16 fios de miçangas com um único fecho. Cada Iawô deve ter um do seu Orixá principal e outro do Orixá que o acompanha em segundo plano.
Brajá:
Longos fios, montados de dois em dois em pares opostos. São usados a tiracolo ou cruzando o peito.
Hungebê:
Feito de miçangas, corais e seguis. É o colar sagrado da Nação Gege.Lagdibá: Feitos de fios múltiplos em conjuntos de 7, 14 ou 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica que é o fecho do colar).
Kelê:
Colar de contas, curto.

O Uso do Coco

Os povos do Caribe, pela impossibilidade de obterem o obí, passaram a utilizar o coco em sua substituíção, num tipo de ritual denominado "Oráculo de Biaguê". Quatro pedaços de coco são usados em substituição aos quatro segmentos do obí. O coco é utilizado como oferenda principal aos Orixás, Eguns, Exús e até mesmo a Orí em muitas formas de borí.


Lenda:

Quando Obatalá, dono do coco, reuniu todos os Orixás para dar-lhes mando e hierarquia, isto foi feito embaixo de um coqueiro. Obatalá colocou aos pés de cada Orixá um coco partido, por isso todos os Orixás tem direito ao coco, embora o coco inteiramente descascado, seja um direito exclusivo de Obatalá.
Todos os Orixás sentaram-se ao redor do coqueiro para ouvirem com muito respeito e atenção as instruções de Obatalá, com exceção de Obaluayê que se mostrou relutante em aceitar as ordens e orientações que lhe eram dirigidas. Obatalá no entanto, conseguiu convencê-lo e, com muita paciência, fez com que acatasse suas ordens e orientações.
Desde então, não é possível que se proceda a nenhum ritual sem que se ofereça cocos aos Orixás e aos Eguns.




Oferendas de Coco:

Sempre que quiser oferecer coco a Egun, Exú ou Orixá, o seguinte procedimento deve ser adotado:
Escolhe-se um coco maduro, rompe-se a casca externa e tira-se a parte comestível e joga a casca grossa fora. A casca mais fina é mantida. Corta-se em 04 pedaços, lava-se muito bem e coloca num prato com a parte branca para cima e arreia nos pés do Orixá ao qual se destina o sacrifício. Os mesmos quatro pedaços são utilizados no jogo para saber se a oferenda foi aceita.

Para cada entidade, existe uma saudação diferente de acordo com o que se segue:

Para Elegbara:

Laroyê aki Bara Barabá
Exú ború, ború, Exú boyá, Exú boxixe!
Exú Bara Barakikenio


Para Ogun:

Oun xibiriki ala Oluo kobu, kobu
Oké babá mi siú biriki
Kpalo to ni gba
Osun du rogago la bo sie


Para Oxóssi:

Oxóssi Odé mata ata mata
Si du ró mata!


Para Xangô:

Elueko Asósain a kata jéri, jéri
Kawo Kabiesile!
Ala tutan, ala layi apendé
Yeyeni ogan gelé
Yuo okuré ari kasagun.


Para Yemanjá:

Iyá mi o atara magba mio jójoo
Axere Ogun ayaba odun
Omi o Yemanjá asaiyabi Olokun,
Aboyo, aboyo yogun ewo
Aya balo ewo mi emi boxe
Iyá olomi akara biaye
Yemanjá igbere ekun asayabio
Olokun ya bi elede omo ariku
Alalajara de yuoma kamariku
Kamari arun, kamari ejo
Kamari ofo kamari yen bipene.


Para Oyá:

Iyansan Onire omá lelú Oyá kojé kofiedeno
Oyá aji lo da aji mi mo omi enti omó kpe eye
Orunla mio talembe mi lo jekuá jei Iyansan
Iyansan oro iku jere obini dodo.


Para Oxum:

Oxun igba Iyami mo!
Igba Iyami o!
Iko bo Iyami gbasi, Iyami mo
Iyalode ogbido abala abe de bu omi male ado
Elegbeni kikirisokede
To xe ni Kpele, Kpele Yeye moro.


Para Obatalá:

Obatalá obatasi
Obada bada badanera
Ye okulaba okulá. Axé Olobo
Axá omo, Axé ku Baba
Obatalá dibenigba binike
Ala lolaá axé afiju
Oxé ai lala
Abi koko. Ala ru mati le.


Para Obaluayê:

Obaluayê ogoro nigá eloni
Agbá litasa Baba Singbe, ibá eloni
Ogoro Xaponam. Agô.


Para Egun:

Axé Baba adagba,
Axé Babadona Orun
Adiatoto adafun ala kentagbada omo ayê
Agô.