sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

15. Odú Ogbé-Ogundá

Fala neste Odú Obá, Oyá e Ogun
Este Odú fala sobre as guerras, as brigas e principalmente a desunião.
A Padroeira deste Odú é Obá e traz em sua defesa sua irmã mais nova conhecida na cidade de Ibadá como Oyá e na cidade de Irema como Iansã.
Oba é um Orixá feminino que pertence ao culto dos Yorubás. Teve dois relacionamentos em sua vida. No primeiro, ela foi violentada e se exilou indo viver nas profundezas da floresta e criou um culto próprio que se chamava YÁ MI EGBÉ, ou seja: Comunidade das Feiticeiras.
Obá começou a conspirar contra o culto dos homens e não teve nenhum Orixá masculino que a vencesse numa luta corporal, era rápida, astuta e tinha uma força que nem o temido Ogun conseguiu vencê-la. Envergonhado, procurou um Esó da floresta para saber o que poderia fazer para vencer essa poderosa fêmea, que quando brava, parecia um homem.
O feiticeiro mandou que ele pegasse inhame e quiabo, fizesse uma massa bem viscosa e colocasse atrás de um mato, longe dos olhos daqueles que iriam assistir a luta, assim sendo, conduziria Obá para aquela região e quando ela colocasse os pés na massa, iria cair e Ogun deveria possuí-la mostrando assim que por maior que seja a força feminina, jamais será superior ao poder masculino. O principal poder do homem é a força bruta e da mulher é a consciência. O que controla a cólera é a consciência
Obá sentiu-se envergonhada após ser violentada em público e jurou que nunca mais, nenhum homem ousaria tocá-la. Retirou-se de vez da cidade, passando a viver na parte mais obscura da mata.
Mas, um belo dia, um rei de tranças, que usava argolas em suas orelhas, muitas pulseiras de cobre, colares rente ao pescoço, robusto, com ar de alegria e um sorriso que representava a vida, perdeu-se nas profundezas da mata em uma das suas viagens onde iria visitar Ogun, na cidade de Irê.
Obá avistou esse poderoso rei que trazia um brilho tão ofuscante que mais parecia o sol. Obá encantou-se. Estava apaixonada. Seu coração chorava por que se via mediante a promessa que havia feito e que a proibia de entregar-se ao amor.
Xangô, o rei, galante e conhecedor da beleza que tinha, usou seu charme e encanto para seduzir aquela triste mulher que tanto sofrera. Xangô disse:
- Por que se esconde mulher? A beleza que procuro é a que vem do coração. Porque burro é o homem que não consegue enxergar a beleza que traz escondida dentro de você.
Obá nunca tinha ouvido elogios. Não pôde controlar-se entregou seu coração aquele homem que tinha a conquista como o maior prazer – “possuir o que ninguém mais possui”.
Após esse teatro de amor, Obá mostrou-lhe o caminho de volta e ele viu que maior que a beleza física, era a lealdade que ela devotava a ele, sabia que ela jamais o trairia, pois os filhos de Xangô para não sofrer injustiças e perseguições, devem ter assentado Obá, única Ayabá que guarda a retaguarda de Xangô. Obá deixa de cuidar de si para cuidar de Xangô.
Perfil:
São pessoas de grande valor. São incompreendidas e se tornam agressivas quando não bem sucedidas. Ambiciosas, buscam paz na Terra e no Mundo, sonhadores e desligados. Costumam sofrer muito no amor.

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