Fala neste Odú Xangô e Yemanjá.
Xangô era um homem muito galante. Gostava de festas, bebidas e mulheres. Teve três esposas: Oyá, Obá e Oxum. Tinha como mãe Iê Iê Omo Ejá (mãe dos filhos peixe). Mas sua mãe sentia-se incomodada com a presença de Xangô pois tudo que ele fazia, a ela contava. Ela não suportava mais a situação e foi procurar o Babalawô Olukotun Bi Oye e disse a ele que o amor que ela sentia pelo seu filho Xangô era grande, tão grande que era capaz de doar sua vida pra que ele se mantivesse vivo se necessário fosse. Era um amor carnal, da paixão de uma mulher por um homem.
Então perguntou:
- O que posso fazer para conquistá-lo? O Babalawô ensinou uma bebida mágica que encantaria Xangô, mas depois desse dia, nenhum de seus descendentes poderia provar desse fruto, pois isso seria a tragédia de Xangô. Yemanjá se viu muito preocupada e disse que jamais faria aquela bebida porque não suportaria ver seu filho que representava o calor do sol e a alegria da vida, derrotado por um ato mal pensado de sua mãe. Retornou à sua aldeia e continuou levando a vida como antes: aconselhando pessoas e cuidando das cabeças dos filhos.
Mas um belo dia Exú, que se aproveitando da situação, disse a Yemanjá que teria uma grande festa no reino de Oyó e que Xangô tinha dito aos quatro cantos do mundo que pagaria duzentos mil kauris se existisse mulher mais bonita do que as mulheres que ele tinha. Yemanjá sentiu-se ofendida pois que era possuidora de uma grande beleza feminina, que encantou Reis e teve filhos com todos. Teve tantos filhos que já não sabia qual cabeça não lhe pertencia. Mulher bela com ar de prata, seios avantajados, brilho da lua. Vestiu-se como Grande Rainha que era, com seus Elekês, tranças torneadas com búzios, muitas pérolas em volta do pescoço, muitos braceletes de prata que dava o toque da sensibilidade feminina. Foi à festa acompanhada de suas Ekedis e soldados. Já havia passado meses sem que mãe e filho se vissem.
Quando Xangô a viu não reconheceu, viu uma bela mulher e logo sentiu-se encantado. E falou:
- Quem é esta linda Rainha que brilha como água, que encanta meus olhos e faz chorar de amor meu coração?
Xangô não podia saber que independente da beleza de Yemanjá, existia os feitiços e encantamentos de Exú. Yemanjá, também enfeitiçada, pegou o fruto que Xangô mais gostava com algumas folhas mágicas, dadas por Exú, misturou com obí e deu para que Xangô bebesse.
Ele sentiu-se embriagado pela bebida e dominado pela paixão, pois nunca tinha visto no mundo uma mulher tão perfeita e acabou entregando-se a sedução. Com ela deitou e passou uma das noites mais felizes de sua vida.
Ao clarear o dia, Exú retirou o encanto e Xangô ao acordar deparou-se com sua mãe nua sobre seu corpo. Não pode acreditar. Revoltou-se com o mundo, teve vergonha de sua própria mãe. Acreditava que jamais poderia encontrar uma mulher que faria o Rei Xangô sentir tudo aquilo que ele sentiu. Nem Oyá com sua força e beleza, nem Obá com sua inteligencia, nem Oxum com sua sedução conseguiu reanimar o Rei. Ele deixou de comer, de beber e principalmente, deixou de sorrir. O sol já não tinha mais a mesma intensidade sobre a terra. As flores do reino começarão a morrer. O povo se reunia na frente do palácio e clamavam:
- Obá Kossô, Obá Kossô Arayê, Obá Iná Ifé, Obá Iná Emí!
Xangô chegou a conclusão que não poderia mais viver para o povo porque seu tempo na terra tinha se acabado. Então, reuniu seus ministros, chamou seus irmãos, fez uma grande reunião onde estava todos os Reis e principalmente Yemanjá, a mãe do Rei Xangô e disse:
- Meu irmão mais novo, você sempre foi um inconsequente, toda a vida que morou em meu reino causou muitos atritos e confusões. Eu sei que o maior mal para você, meu irmão, será a responsabilidade. Eu lhe darei a minha coroa, o meu Oxé, minha gamela, meu Xerê e a responsabilidade de conduzir os caminhos de meu povo e julgá-los. Terás de saber como punir ou absolvê-los e darei controle a ti para que lhe cobrem. Darei Seis Osí Obá à sua esquerda e Seis Osí Obá à sua direita que governarão contigo em meu nome. A partir desse dia, ninguém ousará lhe chamar pelo seu Arú pois estou lhe dando o meu título de Guardião de minha coroa até o meu próximo descendente que só governará após seu regresso ao Orum. Aí está a senha de meu reino e todo o povo lhe chamará Barú que com o passar do tempo, serão poucas as pessoas que saberão quem verdadeiramente tu és.
Perfil:
Não admitem ser contrariados. Tem forte tendência a obesidade. São ligados a mãe e a família. Gostam da vida, mas não temem a morte. São gulosos, dorminhocos, briguentos e senhores de suas obrigações. É simbolizado através de uma fogueira. São orgulhosos e guerreiros.
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