terça-feira, 1 de novembro de 2011

Laburé

domingo, 12 de junho de 2011

Banalidade do Culto Afro no Brasil

             Todo homem precisa de uma busca. Acreditar nos seus sonhos, na existência de algo superior e criar os meios de transpor o mundo das idéias para o mundo real. Caminhar, buscar, enfrentar desafios, correr risco e sempre seguir em frente olhando para o horizonte.
          O que seria de nós sem as motivações existênciais?

          Eu sou Kaliel Conrado, profissional do rádio, comunicador e um ser latente espiritualmente.
          No dia 20 e maio de 2011 uma nova etapa em minha vida de traçou, um dia qualquer pra muitos, mas um dia histórico para mim. Mas antes de me aprofundar neste caso, me sinto na necessidade de fazer um relato histórico.

          Espiritualmente tive inúmeras trajetórias, em alguns momentos, corri atrás de diversos credos, religiões, filosofias de vida, seitas... Enfim, uma boa parte de minha existência até agora foi marcada por uma busca por respostas, uma busca pelo sobrenatural.

          Eu tentei saciar minha sede de conhecimento no catolicismo, protestantismo, espiritismo kardecista, esoterismo, ocultismo, xamanismo, celtismo, druidísmo, teosofia, hinduísmo, budismo, cabala, sufismo,umbanda, candomblé e por fim o culto de Ifá. Ufa! Fiz uma jornada e tanto, não é mesmo? Mas cada uma dessas vertentes religiosas contribuiu no meu processo de crescimento interior e pude perceber que cada uma tem uma centelha divina, uma verdade e, pode sim, nos guiar para nossa buscar única – regressar para nossa fonte criadora.

          No final de tudo, cheguei a conclusão de que  somos nós mesmos que fazemos o caminho, a diferença!
          Foi preciso fazer esta longa jornada para hoje me deparar com o que realmente eu precisava para esta existência - ser iniciado no culto de Òrunmìla-Ifá. Com isto, quero dizer que, é preciso cada um fazer sua peregrinação místico-religiosa - O processo de transformação existêncial.

          O culto de Òrunmìla-Ifá é uma filosofia de vida mística africana, não é candomblé, nem umbanda, nem kimbanda, nem Congo, nem Batuque e nem muito menos o que chamam erroneamente de Macumba. É algo muito diferente, profundo, filosófico, intrínseco, mágico e libertador e que, felizmente,  qualquer pessoa, de qualquer credo religioso, pode ser adentrar ao culto e seus mistérios milenares.

          Porém, algo me incomoda e me deixa profundamente decepcionado. Neste momento irei me referir a todos que são os Chefes, Sacerdotes, Babalorixás, Yalorixás, Omos, Awos, Babalawo ou qualquer outro que esteja e viva dentro das ramificações religiosas e culturais de matriz africana no Brasil.

          Eu conheci dezenas de líderes religiosos por este Brasil. Poucos, pouquíssimos, tiveram a minha mais profunda admiração, posso contar nos dedos de minha mão direita. A pergunta que você se faz agora é: POR QUÊ?

          Pois bem. Fico constrangido com a maneira que alguns líderes religiosos vêm conduzindo suas “casas de axé”. Depois de séculos de existência, o candomblé e outros seguimentos continuam sendo taxados de religião do mal, de feitiçaria, de demônio, de uma religião  “gays e lésbicas”. Impressionante como essa cultura mística filosófica africana continua sendo marginalizada. De quem é a culpa? Digo-vos, de cada um de nós e principalmente dos sacerdotes e sacerdotisas. Afinal, do “povo do santo”

          Aonde formos há uma marca da África, seja no penteado, no corte de cabelo, na comida, no jeito de falar, na dança, nas molduras , na arquitetura... Não podemos negar, somos uma extensão em potencial da África.

           Ir contra isto é contestar nossa própria existência!

          Virar as costas para esta cultura é negar nossa Ancestralidade, nossos antepassados. Não podemos esquecer aqueles que lutaram, derramaram seu sangue e morreram para hoje estarmos aqui, vivos. Uma árvore pode ficar de pé sem raiz?

          Sem generalizar, mas lamentavelmente, a religião africana aqui no Brasil se transformou num jogo de interesses particulares e escusos onde pais e mães de santo estão usando da religião para adquirir poder, fama e riquezas e no pior caso, estão transformando os barracões numa extensão de suas almas doentias e mesquinhas. Passaria horas escrevendo as diversas experiências que vi e vivi em algumas “casas de santo” “por aí; relatos que deixariam muitos leitores estarrecidos.

          A verdadeira espiritualidade não pode ser negociada, não pode ser manipulativa, não pode ser comprada. Muitos mais muitos candomblés que acham que cultuam os Orixás estão se transformando em galpão de escola de samba, onde os orixás são cegos mudos e surdos. Vejo orixás mais preocupados com suas bonitas roupas do que em mostrar a verdadeira essência. A superficialidade e as vaidades pessoais estão tomando de conta dos barracões. Vejo muita encenação e “amostramento”, uma disputa para quem sai com a roupa mais chamativa, mais brilhante, mais cheia de plumas e paetês. Orixás que se dizem incorporados que param no meio da dança pra ajeitar seus vestidinhos e ajeitar seus adornos, afinal tem que sair bonito pra foto e isso é fato!

          Recordo-me dos orixás dos mais velhos, que quando incorporavam não precisavam de roupas caras, saiam pro meio de terreiro, na terra batida pra dançar e bailar a noite toda sem cansar, os orixás que arregalavam seus olhos e pegam suas armas e bailavam lindamente relembrando a vida que tiveram aqui, das lutas, das guerras, dos amores; orixás que eram presente de verdade na vida de seus filhos e sabia dar o castigo certo quando o noviço cometia um erro. Vi e ouvi histórias de orixás que entravam no fogo e não se queimavam coisas que nós humanos jamais poderíamos entender.

          Onde estão esses Orixás?

           O que fizeram com os verdadeiros Orixás?

          Porque se calaram, cegaram e ensurdeceram ?

          Por que os orixás de hoje, incorporados em seus filhos, saem para o meio dos salões com os passos de dança ensaiados, rodam, pulam, gritam, retorcem e voltam pra dentro de um quarto escuro? É só isto que tem a oferecer?

          Brigas, fuxicos, intrigas, perseguições, tramas e sexo são coisas assim que estão acontecendo dentro de muitas casas de Candomblé. Zeladores que transam com seus filhos dentro de camarinha; pais de santo iniciando seus amantes, pais de santo mercenários que por dinheiro usa das entidades para feitiçaria para fazer amarrações, destruir e até matar. Orixás sendo conduzidos e guiados pelos seus amantes nos rituais. Esta raça pobre está acabando com nossa religião e destruindo com o nome dos verdadeiros Orixás. Neófitos, pessoas despreparadas recebendo cargos e funções dentro do culto se tornou rotina. Isto se chama comercialização da espiritualidade.

          É preciso fazer alguma coisa urgente!

          Conheço pessoas, principalmente mulheres, desesperadas, que gastaram fortunas para trazer seus maridos de volta, pessoas que foram enganadas, roubadas e usadas por certos sacerdotes africanos. Eu vi pessoas terem suas vidas destruídas nas mãos desses marginais da espiritualidade .

          Travestis com peito de silicone sendo iniciados , homens que se “montam” a base de silicone recebendo cargos exclusivos para mulheres; adeptos que mal terminam os rituais estão se trancando nos quartos com seus irmãos ou parentes de santo e transam; festas de orixás regada a muita cachaça e cocaína, amantes que participam das iniciações do seu companheiro e orixá ainda dança pra ele. Pessoas despreparadas e interesseiras estão sendo iniciadas a torto e a direita. Um festival de futilidades e tentativas de superação das frustrações pessoais de muitos adeptos.

          Cultuar orixá é cultuar a natureza e não se vê isto acontecendo. A maioria dos Terreiros de Candomblé e Umbanda estão localizados nas periferias das cidades, poucos ou quase nenhum tem a preocupação de desenvolver um trabalho ou um projeto educacional para combater o consumo de drogas. Deveriam procurar orientar, fazer palestras, criar parcerias com os poderes constituídos para tentar salvar ou evitar nossas crianças e adolescentes adentrarem nos mundo das drogas. Deveriam se unir em prol de um bem maior, coletivo ao invés de ficarem sentados em seus tronos esperando chegar clientes para barganharem favores ou dinheiro para sustentar suas vaidades pessoais ou seus amantes.

          Sei que meus pontos de vista não vão agradar a muitos e serei taxado de muita coisa, mas tenho minha consciência limpa e sou fiel as minhas convicções. Minha luta não é de muitos, e sim de poucos. Luto e defendo aonde quer que eu vá o nome de Orunmila, dos Orixás e de uma cultura poderosa como a Africana. Levantarei o estandarte em defesa de meus ancestrais e daquilo que é certo.

          Sei que não estou sozinho nesta batalha, com o tempo muitos outros irão acordar e se acoplar a nossa causa nobre. Um dia esses marginais da espiritualidade serão desmascarados e punidos pelas suas arbitrariedades.

          Não sou dono da verdade, sou um guerreiro, um seguidor de Ifá, um adepto que acredita nos verdadeiros Orixás e na sua força. Busquem as verdadeiras casas de Candomblé, não percam sua fé nos Orixás.

Ogbo ato ire ooooo!



Kaliel Conrado

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Declínio da Fé

...”em um passado não muito distante os Orixás falavam, e se comunicavam com as pessoas, deixavam recados que certamente contribuíam em muito para a solução de nossos problemas. O que teria acontecido com o passar dos anos? Os Orixás fecharam os olhos e ainda fecharam a boca? Seria culpa dos sacerdotes que perderam como se faz o ritual da abertura de fala? Será que esses novos sacerdotes já viram um tabuleiro repleto de comidas para tal axé?” (Gilmar Ofun Oyeku).

Foi com grande preocupação que li esse artigo no blog de Gilmar Ofun Oyeku. Quantas vezes não me deparei com situações iguais a essa em minha cidade. Dei-me conta do real motivo de minha ausência nos xirês e rituais.

Presenciei acontecimentos que me deixavam no mínimo envergonhada, aos quais me recolhia a minha ignorância pelo simples motivo que esses fatos se davam no meio de pessoas que detém o poder e o conhecimento dentro do culto aos Orixás.

Aprendi com meu zelador que “Orixá fala sim, ouve sim, canta sim”! E hoje vejo Orixás puxados por pessoas (muitas das vezes sem conhecimento ou autoridade para tal), de olhos fechados e que sequer sentam, aconselhados por quem lhes servem, pra não amassar a roupa.

Ver abians, sem nenhum conhecimento, suspender Orixá, não tendo o cuidado de observar as condições em que o yawô ficou, é bem constrangedor.

Vi brigas e palavrões no meio do barracão com o Orixá da casa dançando;

Pessoas saírem do xirê pra atender o celular;

Xirês que se inicia cantandoe louvando Exu catiço, seguido de Orixás encerrando com toque pra caboclos, boiadeiros, mestres e erês de jurema, sem nenhuma organização hierárquica;

Zeladores e Zeladoras ameaçando abians e yawós caso saíssem de suas casas.

A pergunta é: onde estão os Orixás nessas horas?

Será que são eles que estão realmente incorporados em seus filhos e filhas? E se estão, por que permitem que isso aconteça denegrindo a imagem de uma história e de uma religião que existe há mais de mil anos?

Ah, acabei de lembrar: ORIXÁ NÃO FALA!

Então quem irá me responder?

Como Ekedji tenho minhas limitações: não incorporo e não tenho jogo de búzios.

É com tristeza que chego à conclusão de que não é só em minha pequena Cajazeiras que isso acontece.


Onde chegaremos permitindo que coisas assim aconteçam?


Termino essa postagem na esperança de uma mudança ou de uma resposta e nessa espera me reporto às palavras do Professor Agenor Miranda Rocha:


Antigamente havia mais humildade, mais fé e mais respeito ao Orixá. Hoje não, quase só se vê vaidade e comércio. O axé está enfraquecendo.Talvez por essa razão os Orixás do Ketu não falem mais em muitas casas, mas deveriam falar, se recebem o axé de fala. O erê não fala? O próprio Orixá não dá seu nome no barracão? Os santos dos antigos sempre falavam, ou em yorubá antigo ou para aqueles que não compreendessem esta língua num português meio arrevesado. Só não falavam os Orixás das pessoas que não eram feitas e que, por tanto ainda não tinham recebido o axé próprio”.



Que meu Pai Oxóssi abençoe a todos e nos dê discernimento!



Virginia Ligia Moura de Souza

sábado, 23 de outubro de 2010

Orí



"ORI é o criador de todas as coisas

ORI é que faz tudo acontecer, antes da vida começar

É ORISA que pode mudar o homem

Ninguém consegue mudar ORISA

ORISA que muda a vida do homem como inhame assado

AYE, não mude o meu destino

Para que o meu ORI não deixe que as pessoas me desrespeitem

Que o meu ORI não me deixe ser desrespeitado por ninguém

Meu ORI, não aceite o mal."


"Meu ORI

Eu grito chamando por você

Meu ORI,

Me responda

Meu ORI,

Venha me que eu seja uma pessoa rica e próspera

Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem

Oh, meu ORI!

Ao ser louvado pela manhã,

Que todos encontrem alegria comigo"

"Por toda parte onde ORI seja próspero, deixe-me estar incluído,

Por toda parte onde ORI seja fértil, deixe-me estar incluído,

Por toda parte onde ORI tenha todas as coisas boas da vida, deixe-me estar incluído.

ORI, coloque-me em boa situação na vida,

Que meus pés me conduzam para onde as coisas me sejam favoráveis.

Para onde IFA está me levando eu nunca sei.

Jogaram para Assore no início de sua vida.

Se há qualquer condição melhor do que aquela em que estou no presente,

Que possa meu ORI não falhar em colocar-me nela.

Meu ORI, me ajude!

Meu ORI, faça-me próspero!

ORI é o protetor do homem antes das divindades."

segunda-feira, 5 de julho de 2010

As Verdades de Ifá

AS VERDADES DE IFÁ



1. Este Universo é benevolente.

2. Você não precisa sentir medo.

3. Só há uma única Força Criativa - Deus!

4. Não existe nenhum Diabo.

5. É seu direito inato ser jovem, próspero e amado.

6. O Céu é a “casa” e a Terra o “mercado”. Estamos em comunicação constante entre os dois.

7. Você é literalmente parte do Universo, não apenas de modo figurativo.

8. O seu caráter determina o resultado.

9. A Supremacia é má.

10. Você não deve NUNCA, desejar ou fazer mal a outro ser humano.

11. Você não deve NUNCA prejudicar o Universo do qual você é parte.

12. Não deve haver nenhum tipo de discriminação.

13. A diversidade é o carimbo oficial da criação de Olodumare - Deus.

14. Você escolhe seu Destino e seu Orixá Guardião.

15. O Oráculo provê o mapa do caminho para o seu Destino.

16. Suas metas são: Equilíbrio, Crescimento e Sabedoria.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Catimbó



Na Paraíba e em Pernambuco, os espíritos, que ali se chamam MESTRES podiam ser espíritos de índios, de brasileiros mestiços ou brancos, entre os quais se destacavam antigos líderes da própria religião já falecidos, os mestres, designação esta que acabou prevalecendo para designar todo e qualquer espírito desencarnado. Essas manifestações também herdaram das religiões indígenas o uso do tabaco, ali fumado com o cachimbo, usado nos ritos curativos, além da ingestão cerimonial de uma beberagem mágica preparada com a planta da jurema.
Catimbó e Jurema - são os nomes pelos quais essa modalidade religiosa é conhecida resultam desses dois elementos.
O Catimbó é provavelmente uma deturpação da palavra cachimbo, e jurema, é o nome da planta e da sua beberagem sagrada. Ao norte, no Maranhão e no Pará, os espíritos cultuados são personagens lendários que um dia teriam vivido na Terra mas que, por alguma razão, não conheceram a morte, tendo passado da vida terrena ao plano espiritual por meio de algum encantamento. Por esse motivo são chamados de Encantados.
Essa tradição de encantamento estava e está presente na cultura ocidental, bem como na mitologia indígena. Os Encantados são de muitas origens: índios, africanos, mestiços, portugueses, turcos, ciganos etc. Quase todos são elementos da encantaria amazônica, como as histórias de botos que viram gente (e vice-versa); lendas de pássaros fantásticos e peixes miraculosos. Tudo isso foi compondo, ao longo do tempo Pajelança, Torés, Rituais de Fogo entre tantos outros que fazem parte desta linha de trabalhadores da Umbanda, que erroneamente são confundidos com Exús ou com espíritos maléficos.
O ritual do Catimbó, ainda hoje pouco estudado, mas muito difundido. Emprega a magia das fumaças dos cachimbos virados, dos toques dos antigos atabaques, chocalhos e maracás. A presença desses mestres e mestras é constante já há muito tempo, mais de forma errada e por se apresentarem junto com os Exús, passaram a ter ser culto difundido de forma errada.
Trabalham em uma faixa de energia vibratória muito parecida com a dos Exús, ou seja o preto começando a clarear para o vermelho. Daí a necessidade da incorporação nas giras de Exú.
Como o culto do Catimbó foi esquecido e eles precisavam trabalhar e prestar a caridade. Que encontrou na gira de Exú a faixa vibratória perfeita para realização dos trabalhos. São entidades presentes desde o começo da Umbanda, conhecendo todas as magias e feitiços. Não tem compromisso com qualquer Orixá ou entidade, respeitando somente a força de uma árvore conhecida como Jurema.
Segundo os mestres do Catimbó, é da Jurema que foi feito a cruz para crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Trabalham com fogo, fumaça, pontos de fogo, caldeirões com feitiços, punhais e ossos.
Trazem na sua origem os sertões do nordeste onde a fome era predominante, e o sol maltratava a todos. Muitos foram vaqueiros, tocadores de boi (boiadeiros) e andarilhos sempre a procura de alguma diversão ou amores com mulheres da vida (algumas hoje também são grandes mestras do Catimbó).
Hoje o culto do Catimbó, começa a tomar força novamente e algumas casas já dão suas giras separadamente das giras de Exú.
Suas bebidas vão desde a cachaça, passando pelas cervejas e chegando até os misturados das terras do norte, tipo Aluá.
Não são assentados e tem por obrigação a sua casa na entrada dos barracões. São cultuados junto com as almas das segundas-feiras, recebem suas oferendas em portas de bar e em subidas de morro.
Tem predileção pelo peixe frito e pelos petiscos em geral. Suas guias são de preto, vermelho e branco. Vestem-se com roupas claras e alguns com roupas típicas das regiões onde viveram.
Dentre os Mestres e Mestras mais conhecidas, podemos citar: Zé Pelintra, Mestre Junqueiro, Mestre Chico Pelintra, Mestre Antônio, Mestre Bira, Carioquinha, Cibamba, Zé da Virada, Seu Zé Malandrinho, Seu Malandro e Mestra Maria Tereza, Mestra Maria da Luz, Mestra Josefa de Alagoas entre outras.
Hoje a saudação usada pala louvar os mestres do Catimbó é Salve a Jurema Sagrada ou Salve Mestre!
Salve Irmãos de Fé!

Gabadura - Saudação e Egungum

As Gabaduras ou Aduras são rezas destinadas as Yami Oxoronga, aso Orixás e aos Egunguns.
ÌBÀ (Saudação)

Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Ìbá è iyìn te layè
Deito-me sobre a terra para louvar-lhe
Iyìn
Escute meu louvor
Ìbá è iyìn sa lorun
Saudações aos ancestrais que estão no céu
Iyìn
Escute meu louvor
Mo jùbá Égún àiyé esiba orun
Meus respeitos a Égún da vida e aos que estão no céu
Iyìn
Escute meu louvor
Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Ìbá ati yo ojó ati wò òórun
Saudações a saída do dia e ao sol poente,
Iyìn
Escute meu louvor
Ìbá ìkóríta meta ipade orun
Saudações as encruzilhadas que levam ao céu
Iyìn
Escute meu louvor
Ìbá òsán gangan Obamakin
Saudações à tarde Obamakin
Iyìn Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Iyìn
Escute meu louvor
Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Èrí wo yá, èrí-okàn, è iyín òrìsà mámà nle o
Venha rapidamente testemunhar, e tornar consciência.
Orixá venha escutar meu louvor a ti.
Ìbá kùtúkùtu Obayigbó
Saudações pela manhã Obayigbó
Iyìn
Escute meu louvor
Ìbá Okukudoru Òrisanlá Osere Magbo
Saudações Okukudoru Òsisanlá Osere Magbo
Iyìn
Escute meu louvor.





Gbàdúrà Ti Éégun:

Ikú ayé, a kí ì bo òrun!
Mo júbà re Éégun mònrìwò.
Hei! Hei! Hei! Bàbá l’èsè awo ìfé.
Ikú l’onon, Ikú l’èhin,
Ikú ó, Ikú o!

Salve Ikú, Nós o saudamos e cultuamos no òrun!
Meus respeitos a ti Éégun ao ouvirmos o som de tua voz.
Hei! Hei! Hei! Pai que estás aos pés do culto do amor.
Ikú no caminho adiante, Ikú no caminho atrás,
Salve Ikú, Salve Ikú.

Gbàdúrà si Egúngún:

Ìkú ònòn Ìkú lé èhin, Hei! Hei! Hei!
Bábá l’èsè awo ìfé
Pèlé-pèlé ó dára
A wò sílé, a dúpé,
Omo ni won dára
A wé Olúwa ìkú ó bàbá
A wúre, a wúre, Bàbá Olúkòtún.
A wúre, a wúre, Bàbá Alápáàlà.
A wúre, a wúre, Bàbá Igi.
A wúre, a wúre, Bàbá Igi-S’àwórò
A wúre, a wúre, Bàbá Alápoyò.
A wúre, a wúre, Bàbá Erin rin.
A wúre, a wúre, Bàbá Omo Orò ó mi tótóo.
A wúre, a wúre, Bàbá Isota isso.
A wúre ré èrin.
A wúre rìn rere.
Àse!

A Morte no caminho adiante, a Morte no caminho atrás, Hei! Hei! Hei!
Pai, estamos aos seus pés do culto de amor.
Gentilmente Eu vos saúdo, sois o bem.
Olhai para Nós e para nossa casa, agradecemos.
Faça com que vossos filhos estejam bem.
Envolvei-nos, Senhor da Morte e Pai.
Deseje-nos o bem, Pai, Senhor do Lado Direito.
Desejai-nos o bem, Pai, que tem o àlà ao seu lado.
Deseje-nos o bem, Pai, Senhor das árvores.
Deseje-nos o bem, Pai, Senhor das árvores a quem fazemos culto tradicional.
Deseje-nos o bem, Pai, Senhor que traz alegrias.
Deseje-nos o bem, Pai que caminha como o elefante.
Deseje-nos o bem, Pai, Filhos de Orò perdoem-nos Senhor.
Deseje-nos o bem, Pai, Pedra resistente que frutifica.
Desejai-nos o bem e faça-nos sorrir.
Desejai-nos o bem para que caminhemos no bem.
Assim seja!



Nkí Bàbá Olúkòtún:
(Saudando o Senhor do Lado Direito)

K’òtún bájà dé o
K’òtún oba
K’ó sìn nkon se
Éégun ò pààràká
K’òtún nbo a’re
Gbà rú Olúsemòn
Olúkòtún Olóri Éégun
Éégun e ki to lésè Olórun
E Olúkòtún bàbá Éégun
N won nílé wa ní
N ará àiyé tàbí araalé
E Olúkòtún!

Saudamos o Senhor do Lado Direito, que chegou e lutou.
Saudamos o Rei do Lado Direito.
Saúdo aquele a quem servirei e farei as coisas.
Como um Éégun menos importante, que segue o mais importante.
Saudamos o Senhor do Lado Direito, cultuando-o estamos bem.
Faremos oferendas ao Senhor que tem a Sabedoria.
Senhor do Lado Direito, Cabeça (chefe) dos Egúngún.
Éégun, saudamos aquele que está aos pés de Deus.
Senhor do Lado Direito, Pai Éégun.
Que com os demais está em nossa casa,
Com os espíritos da Terra ou com os Ancestrais da Família.



Nkí Bábá Éégun:
(Saudando Bàbá Éégun)


Éégun a yè, a kíì gb’òrun,
Mo júbà re Éégun mònrìwò
Í dé mi ó kí e Egúngún
Ìkú gbálé sálè
A si ìwà
Ìkú tu gon
Àse fún wa.

Salve Éégun, saudamos aqueles que vivem no céu.
Meus respeitos a ti Éégun ao ouvirmos o som de tua voz.
Chega-te a mim, aquele que te saúda Egúngún.
Que a Morte seja varrida para a terra.
Que vejamos a existência.
Que a Morte seja aplacada e cortada.
Que assim seja, para nós!


Gbàdúrà ti Éégun:
(Reza de Éégun)

Ìkú són a lè
Níbi Bàbá Alápáàlà.
Ìkú don ohun bàbá
Ó kí s’àlà ojú wa
Ní ìfé agà to ní gbè
Osó Ìkú a fó a wé to
Ìkú á lè, ìkú á lè, Ìkú àjò!

Morte, fique amarrada na terra
Aqui, Pai que tem o àlà (o pano branco) ao seu lado
Contra feitiços, a Morte e outras coisas.
Pai, ponha o àlà e o olhar sobre nós.
Tenha amor e que estejamos aptos à proteção
Contra os feitiços da Morte, eleve-nos e envolva-nos bastante.
Morte na terra, Morte na terra, Morte viaje (vá embora)!


Gbàdúrà ti Egúngún:
(Reza de Egúngún)

Bàbáláàse se yìn se Ìkú
Olúwà kòtún
K’òtún a sáà nun gó-n-gó
Ìkú a dé.

Pai detentor do axé, podeis abrandar a Morte.
Senhor da existência, saudamos o Lado Direito.
Saudamos o Lado Direito certamente ficaremos limpos.
Que a Morte nos seja branda.







quarta-feira, 23 de junho de 2010

Adimús

Adimús

No culto aos Orixás, o mais importante são as oferendas aos Orixás cuja finalidade é de manter o equilíbrio das relações entre eles e nós - seres humanos.




Para Exú:

Corta-se um coco seco ao meio, no sentido horizontal. Uma das metades é cheia de mel de abelhas, a outra é cheia de aguardente. Arreia-se aos pés de Exú com uma vela acesa. No terceiro dia despacha-se nas águas de um rio.

Para Egun:
Oguidí:

Coloca-se de molho, numa panela de barro, uma quantidade de farinha de milho bem fina (milharina). Esta farinha deverá permanecer de molho por dois ou três dias até que fermente. Uma vez fermentada, acrescenta-se canela em casca; anis estrelado em pó e açúcar mascavo. Cozinha-se em fogo lento. Quando tudo tiver adquirido a consistência de uma massa, retira-se do fogo e enrola-se em folhas de mamona Depois de enroladas e bem amarradas para que não se abram, coloca-se uma panela com água para ferver. Assim que a água estiver fervendo, coloca-se dentro, as trouxinhas, deixando que cozinhem durante quinze minutos, retirando-se em seguida e colocando-se de lado para que esfriem. Quando estiverem frias, retira-se o invólucro de folhas e arruma-se numa travessa de barro, regando-se com bastante mel. Deve-se fazer sempre, um número de nove oguidís ou então, o número correspondente ao Odu que determinou a oferenda. Entrega-se a Egun na porta do cemitério ou nos pés de uma árvore seca.

Para Ogun:

Preparam-se sete ecós, coloca-se num alguidar com uma moeda corrente e um grão de ataré em cima de cada um. Depois de arrumados, acrescenta-se azeite de dendê, mel de abelhas e manteiga de cacau derretida. Junta-se, dentro do alguidar, bastante milho torrado e rega-se com aguardente. Arreia-se diante de Ogun com uma vela de sete dias. Despacha-se numa via férrea.

Para Oxóssi:

Descasca-se e frita-se ligeiramente, em gordura de coco, sete cebolas de casca vermelha. Arruma-se tudo numa panela de barro e cobre-se com anis estrelado em pó; melado de cana; azeite de dendê; pó de peixe defumado e milho torrado. Arreia-se nos pés de Oxóssi com duas velas de sete dias acesas. Depois de sete dias despacha-se na mata sem desarrumar o adimú.

Para Logun-Edé:

Rala-se sete espigas de milho verde bem tenras. À massa obtida acrescenta-se coco ralado e açúcar. Envolve-se a massa nas folhas mais tenras que envolvem as espigas, formando uma espécie de trouxinha que se amarra em cima com palha da costa. Mergulha-se as trouxinhas em água fervente e retira-se logo em seguida. Deixa-se esfriar, abre-se as trouxinhas, arruma-se numa travessa ou prato de louça. Ao redor coloca-se fatias de coco seco cortado em tiras, rega-se com bastante mel e oferece-se ao Orixá. Despacha-se numa cachoeira.

Para Iemanjá:

Descasca-se sete cebolas brancas e frita-se, ligeiramente, em azeite de amêndoas. Depois de bem douradas as cebolas, abre-se nelas, com uma faquinha, um buraco onde se introduz um papel com o pedido que se deseja obter e um grãozinho de ataré. Coloca-se as cebolas num prato branco e se acrescenta, sobre elas, os seguintes ingredientes: Mel de abelhas; melado de cana; um pouco de vinho branco; um pouco de vinho tinto suave e bastante milho torrado. Deixa-se, durante sete dias, diante do igbá do Orixá, sempre com velas acesas. Despacha-se na beira da praia.

Para Oxum:
Um mamão bem maduro aberto ao meio, do qual se retira todas as sementes. Enfeita-se o mamão por dentro e por fora com ramos de salsa; coloca-se dentro do mamão, 5 gemas de ovos de galinha e cobre-se com bastante mel de abelhas. Junta-se as duas partes do mamão e coloca-se, sobre um prato, diante de Oxun, com duas velas acesas. No dia seguinte despacha-se num rio.

Para Nanã:

13 cebolas roxas descascadas e fritas em azeite doce; 13 espigas de milho verde assadas na brasa; 13 rodelas de aipim cozido com casca; milho torrado e pipoca feita no dendê. Arruma-se, num alguidar, primeiro o milho torrado e as pipocas. Por cima dispõem-se as rodelas de aipim, as espigas e as cebolas. Rega-se com azeite de dendê e deixa-se 13 dias diante de Nanã. Despacha-se no mato.

Para Oxumarê:

Com a massa de uma batata doce cozida, modela-se uma cobra dentro de uma travessa de barro. Ao redor da cobra, arruma-se 15 ovos de galinha nos quais colocou-se, por uma pequena abertura feita numa das extremidades, os seguintes ingredientes (para cada ovo): 1 grão de ataré; 1 semente de fava de aridã; 1 semente de bejerekun e 1 grão de lelekun. Arreia-se diante do Orixá e despacha-se, no dia seguinte, nos pés de uma árvore frondosa.

Para Xangô:

Arruma-se, numa gamela grande, 12 tomates maduros; 12 laranjas-da-china; 12 bananas-da-terra verdes; um inhame-da-costa; uma cabaça de pescoço; 12 orogbôs; 12 caramelos; 12 fatias de pão e 12 ataré. Rega-se tudo com muito mel de abelhas, vinho tinto e melado de cana. Coloca-se diante de Xangô e deixa-se por 12 dias, renovando a vela diariamente. No fim dos doze dias leva-se a um campo e deixa-se ali.

Para Ewá:

Cozinha-se 16 pedaços de mandioca cortados em cubo. Depois de bem cozidos, coloca-se numa panela de barro onde se acrescenta: Melado de cana; mel de abelhas; canela em casca e 8 favas de anis estrelado. Deixa-se ferver em fogo brando durante vinte minutos. Retira-se do fogo e, depois de frio, coloca-se à Ewá, deixando por sete dias com velas acesas. Despacha-se num rio.

Para Iansã:

Descasca-se 9 cebolas roxas das pequenas e frita-se, inteiras, em azeite de dendê. Coloca-se as cebolas e o óleo que sobrou da fritura numa panela de barro e, por cima, coloca-se: Milho torrado; feijão fradinho torrado; vários pedacinhos de coco seco; um copo de vinho rosado; um pouquinho de melado de cana; pó de ataré e pó de osun. Entrega-se diante do igbá ou dentro de uma mata.

Para Obaluayê:

Pega-se sete berinjelas, parte-se ao meio e frita-se ligeiramente em azeite de dendê. Arruma-se os 14 pedaços de beringela num recipiente de barro e, sobre cada um, coloca-se uma bolinha de ori-da-costa com um grão de ataré em cima. Tempera-se com azeite de dendê, melado de cana e vinho tinto. Cobre-se com pipocas feitas na areia e arreia-se nos pés de Obaluayê, deixando por sete dias. Despacha-se nos pés de uma árvore dentro da mata.

Para Oxalá:

Obatalá é um Orixá que pode ser facilmente agradado com frutas. Dentre as diversas frutas que podem ser oferecidas em seus adimús, destacamos: Coco verde ou seco, (sempre que se oferecer coco seco a Obatalá, é imprescindível que se retire a película escura que fica agarrada à polpa da fruta); uvas brancas ou rosadas; laranja lima; lima da Pérsia; fruta-do-conde; melão; mamão; fruta-pão (uma de suas preferidas); pêssegos; frutas secas como: passas; tâmaras; figos; nozes; avelãs etc. (as frutas demasiadamente ácidas ou de cascas e polpas vermelhas ou pretas, devem ser evitadas).

Para Obá:

Cozinha feijão fradinho, mistura-se num refogado de cebolas raladas, camarão seco socados, azeite de dendê e água.Adiciona farinha de mandioca fazendo um pirão, coloca-se num oberó e arreia na beira de um lago com muitas flores e velas.

Para Iroco:

Cozinha-se camarão com todos os temperos, isto é ,cebola , coentro ,tomate , pimentão , sal e azeite Quando amolecer e estiver caldo grosso, com o auxilio do machucador , esmaga-se o camarão .Mistura-se com arroz cozido e farinha de goma até os dedos ficarem limpos . Formam-se bolos que são fritos de preferência no azeite de dendê.

Para Ossaim:

Corte o abacate no meio e tire a semente, coloque as duas partes numa travessa com a polpa virada para cima. Numa panela misture o amendoim e o açúcar e mexa até derreter o açúcar, derrame essa mistura sobre o abacate. Enfeite com pedaços de fumo em corda e as 7 folhas de louro. A comida ritualística mais conhecida seria o padê de mel, coberto de fumo de rolo servido com um coité de cachaça e entregue com uma vela preta e amarela.






segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eguns


Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. Em Itaparica (BA), duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa.
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de Orixás. Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades, mas também seus ancestrais, principalmente os masculinos.
A morte não é o ponto final da vida para o iorubano, pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa) ou seja, a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia; ela revive em um dos seus descendentes. A reencarnação acontece para ambos os sexos; é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar.
Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá, chamada também de Iá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipula este perigoso poder. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
Além da Sociedade Geledê, existe também na Nigéria a Sociedade Orô. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Orô é uma divindade tal qual Iami Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Iami quanto Orô são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam à coletividade, mas o poder de Iami é maior e, portanto, mais controlado, inclusive pela Sociedade Orô.
Outra forma, e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esses mortos surgem de forma visível, mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egum ou Egungum. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantém a individualidade, às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.
Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a Iorubana. No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia.
O Egum é a morte que volta a terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado Ixã, que quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida" e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo”. A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungum simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda metálica e estridente - característica de Egum, chamada de séègí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado Ijimerê na Nigéria.
As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral; outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja. Pelo sim ou pelo não, Egum está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egum. A roupa do Egum - chamada de Eku na Nigéria ou Opá na Bahia - ou o Egungum propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o Ixã para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado”, e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou talvez, a própria morte. Ora, o Egum é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras seja prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes - como os Ojé Atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns - desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo Ixã.
Os Egum-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egum (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos.
Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parece um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O Eku dos Babás é dividido em três partes:
1. O Abalá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá e da qual caem várias tiras de panos coloridas, formando uma espécie de franjas ao seu redor;
2. O Kafô, que uma túnica de mangas que acabam em luvas e pernas que acaba igualmente em sapatos;
3. O Banté, que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté, que foi previamente preparado e impregnado de axé (força, poder, energia transmissível e acumulável), é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico.
Na Nigéria, os Agbá-Egum portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o Alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas Erê Egungum; outros, entre os Alabá e o Kafô, usam peles de animais. Alguns Babás carregam na mão o Opá Iku e às vezes, o Ixã. Nestes casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egum, como Babá e Apaaraká, conforme sus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, em verdade, são extensas. Nas festas de Egungum, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários Amuxã (iniciados que portam o Ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos Ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.
Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto, mas separada do grande salão, chamada de Ilê Awô (casa do segredo), na Bahia, e Igbo Igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O Ilê Awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojé podem entrar, e o Lèsànyin ou Ojê Agbá entram. Balé é o local onde estão os Idiegungum, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egum ali cultuado - e o Ojubô-Babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários Ixã, os quais de pé, delimitam o local.
Nos Ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. No Ilê Awô também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns. No balé os Ojê Atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento, e é neste local que o Awô (segredo) - o poder e o axé de Egum - nasce através do conjunto Ojê-Ixã/Idi-Ojubô . A roupa é preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos.
Após saírem do Ilê Awô, os Eguns são conduzidos pelos Amuxã até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojê, pelo som dos Amuxã, brandindo os Ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos Alabê (tocadores e cantadores de Egum). O clima é realmente perfeito. O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano.
O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem descansam por alguns momentos na companhia dos outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos. Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fosse a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente Oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum - estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babás. Antes de iniciar os rituais para Egum, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo entre os Atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito, suas manias e sabem como agradá-los.
Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes.
A Assistência está separada deste mundo pelos Ixã que os Amuxã colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do Ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. Às vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o Ixã no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio Atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o Ojê que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito.
O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egum em vida pertencia a um determinado Orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo com Egum, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um Oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos Alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo Oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes. Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu Atokun funcionará como tradutor. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos Oiê femininos depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papél de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas.
Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egum parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo. Esta é uma breve descrição de Egungum, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Aos Seguidores do meu Blog

Hoje quero agradecer aos seguidores do meu blog. Agradeço o carinho e o respeito com que todos me tratam. Sejam sempre bem vindos, o blog é de vocês e para vocês. Que meu pai Oxóssi Ibualama cubra todos de bênçãos e prosperidade!